Uma das coisas que mais me incomodam na prática de esportes é a mania que todo mundo tem de classificar as pessoas entre “quem faz direito” e “quem faz de qualquer jeito”. Eu aposto que você sabe muito bem do que estou falando.

Se você corre, sempre vai ter uma pessoa para perguntar qual o seu pace, em quanto tempo você terminou tal prova ou algo do tipo. Sempre vai ter aquele que te olha como se você fosse inferior porque gosta de correr em uma velocidade que é praticamente um trote ou porque nunca fez uma prova com mais de 5k. Se você nada, tem que ser o mais rápido. Tem que saber nadar no mar e participar de competições, se não você é igualado às crianças que nadam na piscina do prédio. Se você luta, tem que ter evoluído de faixa rapidamente, participado de torneios e ter várias vitórias no histórico.

E aí, você que só faz algum esporte porque gosta e se sente bem, começa a se sentir mal. Você começa a achar que pratica o esporte “de qualquer jeito”, que não leva à sério, que é inferior aos coleguinhas. E gente, não é assim. Isso está errado!

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Vou contar uma história real para vocês: quando resolvi correr minha primeira meia maratona, eu tinha pouco tempo para treinar para ela. Além disso, eu nunca fui muito veloz e até ali só me dedicava às distâncias de no máximo 5k. Então lá estava eu: acima do peso, com meu pace de tartaruga manca, sem experiência em distâncias maiores. Desde o início eu botei na cabeça que terminaria os 21k da prova bem e feliz. Pra isso fui cuidar do joelho, emagreci para não sobrecarregá-lo e treinei dentro dos meus limites. Eu não queria terminar os 21k correndo velozmente, queria terminar me divertindo e com prazer. Na minha cabeça, tudo estava mais do que bem resolvido. E aí, ouvi de pessoas que eu não imaginava que poderiam dizer essas coisas que “isso não é completar bem uma meia maratona”, “assim não vale a pena, só vale a pena se você fizer direito”, “eu acho que você não está preparada” e outras baboseiras mais. Confesso: no dia em que ouvi isso, desanimei. Me senti o cocô do cavalo do bandido, a ridícula que não conseguia ver os seus limites e queria ser algo que não era. Minha maior sorte foi que eu tinha pessoas que estavam me apoiando e rapidinho me fizeram ver o quão absurdo era tudo o que tinham me dito. Levantei a cabeça, retomei minha auto-estima e voltei a ser feliz com meus treinos. E sim, completei minha primeira maratona. Em um tempo que muita gente diria que é ridículo e que não vale como meia maratona, mas vale.

O que estou querendo dizer é que a gente não pode deixar que os outros imponham na gente suas frustrações, achismos e preconceitos. Faça como e o que você tiver vontade, não existe isso de certo ou errado na atividade física. Você pode curtir “só” caminhar, pode achar uma delícia correr à velociade da luz, se dedicar mais à musculação ou à um esporte mais “masculino” (que é outra loucura, vamos combinar? Esporte é esporte para qualquer sexo). Não permita que ninguém te coloque em uma fôrma pré-fabricada e preconceituosa, nem que faça você perder o prazer em fazer o que faz. A vida é uma só pra gente abandonar o que gostamos por conta da opinião dos outros. Vamos nos mexer, nos sentir bem e ser felizes. É isso que a gente aqui no Acordei Disposta acredita. <3