Na última semana Marta, nossa camisa 10 da seleção brasileira feminina de futebol, alcançou mais uma grande marca. Ao fazer 4 gols na goleada de 11×0 em cima de Trinidad e Tobago e completar sua 100ª vitória vestindo a camisa da seleção canarinho, Marta superou Pelé em número de gols pela seleção. É oficial: no futebol, Marta já é o grande nome brasileiro a ser louvado.

Marta recebendo 5 vezes o prêmio de melhor jogadora de futebol do mundo. Ô orgulho!

Marta recebendo 5 vezes o prêmio de melhor jogadora de futebol do mundo. Ô orgulho!

Marta já foi eleita 5 vezes a melhor jogadora de futebol do mundo, um feito inédito entre homens e mulheres. Já jogou no Vasco da Gama, no Santos, nos Estados Unidos e hoje está na Europa. Há muitos anos ouvimos falar sobre ela, mas quantas vezes vimos seus jogos sendo transmitidos na TV aberta, como acontece com os jogos da seleção masculina? Quantas vezes o país parou para ver essa seleção feminina que tem a maior estrela do futebol de nossos tempos e que goleia outras seleções? Na última Copa, aqui no Brasil, quantos jogos de seleções femininas você assistiu? Essa é a pergunta que sempre me faço quando vejo notícias sobre a seleção feminina de futebol. Que o futebol é um esporte machista e que precisa melhorar muito, já sabemos. Também existe o machismo dos torcedores que, muitas vezes, enxergam o futebol feminino como uma prática com qualidade inferior e que gera menos interesse.

Nesse último ano temos ouvido cada vez mais sobre empoderamento da mulher, feminismo, sororidade e igualdade de gêneros. Vemos notícias de mulheres e homens espetaculares que lutam para que o mundo seja um lugar melhor para ambos os sexos, conhecemos trabalhos e iniciativas que deram mais voz às mulheres. Aí, vem a questão: para que a gente tenha um mundo mais igualitário, a mudança tem que começar com a gente. Apoiarmos mulheres esportistas, darmos audiência, comprarmos ingressos para assistir às competições. Tudo isso as ajuda a crescer, a conseguir mais patrocinadores, a ter uma qualidade de vida e treino melhor. A gente que pratica o esporte como hobby sabe o quanto temos que gastar para comprar um equipamento ou roupa, você imagina o quanto custa ser atleta profissional? É por isso que muitos atletas (e aqui excluo a seleção brasileira masculina de futebol) acabam tendo que abandonar a carreira em algum momento, já que em muitos casos o patrocínio mal cobre os custos de equipamentos, que dirá os custos de vida.

Assistir, torcer e apoiar o esporte, independentemente do sexo dos jogadores, é muito importante. Melhorando o incentivo e apoio, melhoraremos as condições e o retorno que os atletas recebem para treinar e jogar. Melhorando a vida dos atletas, teremos cada vez mais jovens querendo dedicar a vida ao esporte.