Está escrito no meu perfil que fui uma criança/adolescente ativa. E fui mesmo! Fiz alguns esportes, mas os que pratiquei por anos foram: natação, handebol e ginástica olímpica – inclusive neste último fui convidada pra treinar profissionalmente no centro olímpico (obviamente não fui). Quero enfatizar que nesse tempo todo nunca tive sequer uma lesão! No máximo, uns machucados e roxos, comuns do esporte. Por causa dos estudos e casamento (aos 20 anos), larguei de mão, virei uma pessoa totalmente sedentária e assim fiquei por mais de dez anos.

Como muitas pessoas por aqui, comecei a correr. E me apaixonei pela corrida e a sensação que ela me trazia.
E me inscrevi em 1836446382635 provas (passei por muitos meses indo em corridas to-do-san-to-do-min-go).
E não me cuidei. E me machuquei pra valer.

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Rolo, gelo e bandagem foram meus “companheiros” por um bom tempo

Quando comecei a treinar para minha primeira Meia Maratona, ia quatro vezes por semana na academia fazer musculação. Mas devido à falta de tempo (estava uma loucura aquela época), deslocamento do trabalho e localização da academia, diminuí a frequencia (ia 2 vezes e olha lá), comecei a ir muito esporadicamente, até parar totalmente de fortalecer.
Daí pra frente, com o aumento de volume na corrida e a falta de fortalecimento, comecei a sentir dores no joelho esquerdo. Parei para pensar se não era melhor desistir, mas como as dores praticamente sumiam após o tratamento com rolo, bandagem e gelo, segui em frente.

No dia da prova, fui sem cobranças e decidida a abortar se tivesse qualquer sinal de dor. E ela apareceu nos quilômetros finais, mas como já estava próxima da chegada, decidi completar. E foi o que eu fiz.
Um pouco mais de 2 meses, completei minha segunda Meia Maratona. Era a primeira das meninas (Carô falou um pouco aqui e Ju, aqui), e ˜como deve ser em qualquer estréia em meias˜ corremos sem meta de tempo, respeitando nossos limites e com o coração tranquilo. Depois corri 5k na Athenas e OFF total. Precisava de um tempo pra colocar “a casa em ordem”.

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Minha segunda Meia Maratona e penúltima corrida antes do OFF total

Mas o que eu quero dizer com toooodo esse histórico?
Que ao contrário dos outros esportes que pratiquei (que não tive nenhuma lesão), na corrida não construí uma base forte.
Lá na minha infância, eu treinei com supervisão de um profissional e evoluí aos poucos – está aí uma grande vantagem de um esporte que precisa-se de um acompanhamento atento de um treinador! Você erra, aprende e evolui devagarinho, até porque a qualquer vacilada o risco de se quebrar é grande. rs Imagina se eu caísse feio nas argolas ou barras?

Em um esporte como a corrida, você pode muito bem calçar os tênis e sair correndo por aí sem alguém pra te julgar ou corrigir. Entende? E aí mora o perigo.
Posso te contar um segredo que pouca gente sabe? Não “lasquei” minha banda iliotibial nos treinamentos para a Meia. Comecei a sentir meu joelho “reclamar” lááá no comecinho, nos primeiros meses de transição caminhada/corrida. Como eram pequenos incômodos, achei que era só questão do sobrepeso e por isso fui só “administrando”. E sim, as dores chegaram a sumir por um tempo.

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É preciso saber equilibrar tudo na vida! Imagem:
Pés femininos com sapatos diferentes. , by Shutterstock

Aí volto ao ponto de partida, o equilíbrio. É difícil sair do sedentarismo, mas quando colocamos os dois pés pra fora e iniciamos uma vida ativa é muito comum irmos com sede demais ao pote. É gostosa demais a sensação de superação, de evolução, das pequenas conquistas…ainda mais se tudo acontecer muito rápido! Mas seu corpo não percebe da mesma forma! Seu corpo não é feito de aço. É só imaginar um corpo sedentário por anos e, “do nada”, começa a ser forçado a fazer um monte de atividades.
Falei da corrida porque foi uma vivência que tive, mas isso acontece também em outras modalidades, viu? Musculação, bike, funcional ou tudo junto e misturado. Cuidado com essa história de superação, será que no fundo isso não está disfarçado de orgulho!? Cuidado com as comparações que você faz com a colega. Cuidado com os excessos. CUIDADO COM O EGO!

Sinceramente, fui levada pela emoção de um novo esporte e o que ele estava fazendo com meu corpo (é mara a disposição que você ganha!). Acontece, né gente!? Mas, assim como eu, conheço muuuita gente que foi além e levou isso ao extremo ao ponto de ficar meses sem poder fazer um esforcinho a mais. Isso não é nada legal! Não vivemos do esporte, ele deve ser encarado como parte do pacote saúde e bem-estar, não algo estressante a ponto de prejudicar sua saúde e vida pessoal. É aquela história da dose do remédio, nem mais, nem menos, e sim a dose CERTA!

 

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Recomeçando bem ‘de buenas’

Recentemente conversei com uma amiga e me lembro que achei engraçado quando ela me disse que me acha bem resolvida nisso. Pode parecer, mas pera lááá que não é bem assim! rs

Hoje eu vejo que não vale a pena se forçar. A vida é curta e passa voando. O mais importante não é o momento que se “chega lá” e sim todo o percurso, que é onde passamos a maior parte do tempo.
É muito mais vantajoso ir lentamente, curtir o passo a passo, se cuidando e sentindo cada reação do corpo.

E ainda não mencionei a questão pessoal. Já vi (ainda vejo) pessoas se afastando “dos seus”, deixando de ir à uma festa importante, de prestigiar um amigo, curtir o companheiro (a) num sábado ou domingo de manhã por causa disso. Temos que ser intensos, focados, mas não a ponto de deixar de viver. Se é um estilo de vida, então que seja nem lá, nem cá. Temos que saber administrar e se colocar no lugar do outro. Saber ponderar quando é implicância do parente/companheiro (a) ou razão. Sermos mais humildes pra perceber o quanto estamos exagerando. Não é brincadeira, conheço gente que ficou insuportável a ponto de ser deselegante com a coleguinha, só pra alimentar seu EGO (ou suprir algo que falta na vida dela, só pode).

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Relaxar de vez em quando faz muito bem! Mulher deitada em seu carro com pernas para fora. Liberdade e despreocupação. , by Shutterstock

Aí o tempo passa, morremos e o que ganhamos? Uns likes no Instagram, Facebook e a admiração de meia dúzia de gatos pingados. Oooohhhhhhhhh grande vantagem!
O equilíbrio é um dos requisitos exigidos para se ter uma vida mais saudável! A gente tem muitas coisas para se preocupar. Sem neuras com isso!

Viva um estilo de vida que te faça mais feliz e que você possa levar até o fim. 😉