SPOILER: Este é um ‘post-diarinho’ e, talvez para você, ele não vá fazer sentido algum. Mas senti a maior vontade de escrever sobre mim (no sentido egoísta mesmo) e será aqui e agora – lembrando a musiquinha do extinto programa. FIM DO SPOILER

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Senta, que lá vem história.

Ando numa fase meio doida.
Na verdade, minha vida sempre foi um constante ‘vira e mexe, vai e volta’. Só foi uma rotina perfeitinha (sim, hoje gosto muito de uma rotina) até mais ou menos o ano de 2006, quando tive que enfrentar a emergência de um hospital por causa de uma hemorragia pós cirúrgica.
Passado o susto, decidi que não viveria a vida no sentido de ‘só existir’. Que ia correr atrás dos meus sonhos, mesmo sabendo que teriam mais erros do que acertos.
Nesse meio tempo morei no Rio, abri um bar com meu marido e cunhado, fechamos o bar, voltei pra SP, me matriculei na faculdade de moda (SEMPRE quis fazer moda) e comecei a correr – é engraçado como parece um ‘super evento’ quando falo que comecei a correr, né? rs

Acontece que a corrida foi um marco para mim. De repente só falava sobre corrida, compartilhava notícias sobre corrida, postava fotos correndo…eu “consumia” corrida. Tanto que ao subi no palco para pegar meu canudo de formatura ao coro de ‘Corre, Erica, Corre!’. hahahaha

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Subi no palco aos gritos de “cooorre, Erica”! | À direita a foto que praticamente traduz a minha vida.

A corrida fez de mim uma pessoa mais saudável. Embora tivesse levado dois grandes sustos no meio do percurso da vida, passei a prestar atenção de verdade à minha alimentação depois que me tornei corredora. Saca o lance “comer direito pra eliminar o excesso de peso e consequentemente ficar mais leve para correr melhor”? Beeeem por aí.

A corrida também mexeu com minha autoconfiança. Quando criança, era praticante de esportes, mas a parte da corrida sempre foi um ponto franco, o meu tendão de Aquiles. Mesmo fisicamente condicionada, me faltava O Fôlego para me manter mais tempo na prática. Por isso digo aos quatro ventos que completar 21k foi tão especial, pois vi que podia realizar o impossível (pra mim, claro).

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Meus primeiros 21k na Maratona do Rio (que neste ano não vou correr)

Mas, como contei neste post, mergulhei muito fundo e além do meu limite, o que resultou em uma lesão – na época do post não tinha o diagnóstico de lesão de menisco.
Obviamente, hoje estou em OFF (não achei expressão melhor) de corrida e isso me frustra, às vezes.

Voltando à minha não-rotina…
Hoje com dois trabalhos (neste momento lembrando da Rochelle de ‘Todo Mundo Odeia o Cris’ rs) e engatando um terceiro, que ainda é projeto, tenho que sentar e ouvir mais um senta e aprende, Erica.
Tudo porque em meio à um ambiente estressante, uma corridinha simples no parque já me servia como válvula de escape. Sim, a velha corrida…aquela mesma que tive uma fase bem “arranca-rabo”.

Normalmente sou uma pessoa zen, mas tenho um defeito: não sei lidar comigo mesma quando não dou conta de alguma coisa ou quando não o faço da maneira que eu, Erica, gostaria de fazer. Isso me mata e ainda não tenho maturidade para lidar com isso.

Mas e agora vou me afogar na pia?
Não, tenho que me adaptar à situação e procurar meios de suprir essa falta. Pensei, não foi o que aconteceu quando descobri uma intolerância alimentar? Não tive que fazer um monte de substituições? Morri?
Fora que, ao contrário da intolerância alimentar, não é uma condição permanente. Tenho que me tratar, me exercitar e fortalecer a musculatura pra ontem. Sem dramas, dona Japão!
E claro, dormir direito, minha maior meta. Quando não durmo direito, fico acabada. Aquela pessoa bem humorada que muitos conhecem morre. rs
Vou ter que viver o que tanto aconselhei para os outros: aproveitar a “oportunidade” e fazer outras coisas, testar novas atividades, não ficar tristonha a cada foto de medalha e/ou prova, conhecer mais meu corpo e sentir como o mesmo responde aos tratamentos, ler mais, meditar, sei lá…e ter paciência, paciência e mais paciência (se for como a de Jó, melhor). Até tenho feito exercícios em casa, que lá no fundo, sinto que não é a mesma coisa, mas ainda é melhor do que nada. Tenho que fazer a fila andar e achar outra válvula de escape. Até porque, depois que parei totalmente de correr, comecei a comer (engordei quase 8 kg) e comida deve ser para nutrir, não tampar buraco emocional.

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Duas corridas divertidíssimas e que foram muito importantes para mim.

É isso, gente. Se você também teve que dar uma parada e está “na bad” por isso, saiba que tamu-junta! Parece que estamos sozinhas e que temos que levar tudo isso sozinhas. Entendo, porque sou de guardar chateação só para mim (até posso soltar alguns ‘mimimis’) e raramente me verá chamar alguém pra chorar as pitangas. Mas se temos com quem ‘dividir o fardo’, por que não o fazê-lo?

O nosso propósito aqui é te fazer sair do sofá e dar um chute na busanfa do sedentarismo, mas não podemos desprezar o fato que existe um abismo entre o apenas desejar e o momento de agir. E mesmo quando agimos, é muito comum acontecerem trupicões pelo caminho. Digo para você o que repito pra mim todo santo dia: não desista de se cuidar! Não se deixe levar pelas críticas ao mundico fit ou às blogueiras famosas. Não desanime se elas (aparentam) ter uma disposição inatingível. Não se menospreze e se ache ‘de menos’, porque morre de tédio ou de preguiça antes de botar a roupa de ginástica. Somos seres humanos, carregados de imperfeições, e embora a gente queira salientar a parte boa da nossa vida, sofremos sim por um bocado de coisas. Por isso quis desabafar aqui (e até perguntei para as meninas se podia), para mostrar que temos dificuldades, mas que elas não podem interferir no que somos. Só não podemos desistir da gente! Não existe pecado em sentir fraqueza e precisamos olhar o lado positivo das coisas, ter fé e paciência. Fazer do limão, uma limonada. Um dia tudo irá se encaixar. 😉

* desculpa pelo textão