Conversamos com a Dra. Maria Fernanda Elias para saber mais sobre a Vitamina D, aquela vitamina que sempre lembramos quando tomamos um solzinho. A entrevista é super esclarecedora e soluciona de uma vez por toda a dúvida sobre protetor solar x vitamina D, dentre outras.

 

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AD – Dos últimos 10 anos para cá, houve um aumento no número de estudos sobre a vitamina D?
Dra. Maria Fernanda: Sim, o número de estudos sobre a Vitamina D vem aumentando a cada ano, dado o número de evidências que associam esse nutrientes a diferentes benefícios de saúde. De acordo com a base de dados científicos PubMed, a quantidade de estudos publicados com o termo “Vitamina D” no título foi 1.675 em 2005 e 4.229 em 2015. Um aumento bastante expressivo.

AD – Quais as principais funções da vitamina D?
Dra. Maria Fernanda: Tradicionalmente, a vitamina D tem sido intimamente associada à saúde óssea e melhora da densidade mineral óssea por meio da absorção e deposição de cálcio. Ela é necessária para prevenir o raquitismo em crianças, enquanto que, nos adultos, valores baixos contribuem para a osteomalacia, osteoporose e risco de fraturas. A osteoporose é, muitas vezes, chamada de a “doença silenciosa”, uma vez que geralmente se manifesta sem sintomas e não é diagnosticada até a primeira fratura.
Além disso, a vitamina D desempenha um papel importante na redução do risco de quedas ao aumentar a força muscular. A prevenção de quedas oferece benefícios psicológicos importantes para os idosos e ajuda a reduzir as fraturas osteoporóticas.
Novos estudos mostram resultados promissores sobre o papel da vitamina D no fortalecimento do sistema imunológico e redução do risco de esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Evidências sugerem também que níveis de vitamina D abaixo do ideal na infância resultam no endurecimento das artérias e representam um possível fator de risco para doenças cardiovasculares em adultos.

AD – Quais os prejuízos a falta de vitamina D pode trazer para a saúde?
Dra. Maria Fernanda: A carência de vitamina D está associada ao aumento do risco de doenças crônicas não comunicáveis, incluindo: osteoporose, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Além dos prejuízos diretos para a saúde, a insuficiência de vitamina D é um importante problema de saúde pública, tanto no mundo em desenvolvimento quanto no industrializado, já que níveis baixos do nutriente têm um impacto significativo nos custos de assistência médica. Os resultados de um estudo publicado em 2009 concluiu que a diminuição total dos custos de saúde pública na União Europeia, caso a deficiência de vitamina D fosse totalmente eliminada, seria de € 187 bilhões anualmente.

AD – Onde podemos encontrar a vitamina D?
Dra. Maria Fernanda: As principais fontes alimentares de vitamina D são os alimentos do grupo do leite, queijo e iogurte. Entretanto, a vitamina D desses alimentos é pré-formada, sendo necessária a exposição aos raios solares para que ela seja convertida na forma que poderá ser aproveitada pelo organismo. Ou seja, não adianta a pessoa consumir alimentos fontes de vitamina D se não tomar sol todos os dias, sem protetor solar, de 15 a 30 minutos. Mas, por outro lado, a vitamina D3, que é usada em suplementos nutricionais e para enriquecer os alimentos, já está na forma ativa e não precisa ser convertida. Essa é a grande vantagem em consumir suplementos de vitamina D ou produtos fortificados com o nutriente, como leite, pão, iogurte, suco, cereais matinais etc.

AD – Existe alguma idade específica onde o nível de vitamina D tende a diminuir?
Dra. Maria Fernanda: Níveis baixos de vitamina D estão associados aos hábitos alimentares e estilo de vida das populações. Ou seja, tipo de alimentos que são consumidos, inclusão ou não de suplementos de vitamina D (ou multivitamínicos) e exposição ou não aos raios UVB.

AD – O uso de protetor solar prejudica a absorção da vitamina D através da exposição solar?
Dra. Maria Fernanda: Sim, com certeza. O protetor solar bloqueia os raios UVB impedindo a conversão da vitamina D para a forma que será usada pelo organismo. Mas, o uso do filtro solar é extremante importante e recomendo pelos médicos. Por isso, é importante lançar mão de produtos enriquecidos com vitamina D e dos suplementos alimentares, pois, como eu disse anteriormente, eles já contém a forma convertida da vitamina D, não necessitando de exposição ao sol para que ela seja aproveitada.

AD – Quando e por que fazer suplementação de Vitamina D?
Dra. Maria Fernanda: A suplementação de vitamina D pode ser feita para corrigir ou prevenir deficiências nutricionais, com impacto direto na manutenção da saúde.

AD – A resposta do organismo a suplementação costuma ser rápida?
Dra. Maria Fernanda: Os estudos de biodisponibilidade da vitamina D em suplementos são positivos, indicando que o organismo aproveita o nutriente de maneira eficaz. A vantagem é que o uso da vitamina D3 não requer exposição ao sol.

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AD – O excesso de vitamina D pode trazer algum prejuízo à saúde?
Dra. Maria Fernanda: Assim como água e alimentos em excesso fazem mal, o uso em excesso de vitamina D também pode trazer prejuízos à saúde. Por isso, em caso de dúvida, converse sempre com um médico ou nutricionista.

AD – Quais são os prejuízos à saúde que o excesso de vitamina D pode causar?
Dra. Maria Fernanda: A vitamina D, assim como as vitaminas A, E e K, é um nutriente lipossolúvel. O excesso não é expelido pelo organismo, como ocorre com as vitaminas hidrossolúveis, podendo acarretar acúmulo e toxicidade. Entretanto, volto a frisar que o grande problema global atual é a carência de vitamina D e não o excesso.

AD – Quando devemos fazer exame para acompanhar o nível de vitamina D?
Dra. Maria Fernanda: Dada a alta prevalência de deficiência de vitamina D no mundo, os exames de acompanhamento e prevenção devem ser feitos em todas as fases da vida, incluindo infância.

 

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Sobre a Dra. Maria Fernanda Elias

Nutricionista, Mestre em Saúde Pública e Doutora em Ciências pela USP. Gerente de Comunicação de Nutrição & Saúde Humana da DSM para América Latina.