Quem aqui já ouviu falar de Jejum Intermitente (JI)? \o/ Eu tenho visto muita gente comentar sobre o assunto e isso me fez ficar curiosa sobre o tema. Por isso convidei a Nutricionista Ana Paula Martins (ela atende no Rio e em São Paulo, povo!) para responder algumas dúvidas que nós 3 tínhamos sobre o tema.

Imagem copo de chá turco, por Shutterstock

AD – O que é Jejum Intermitente (JI)? 

Ana Paula – O JI é uma estratégia nutricional de jejum programada. Ele estimula alguns fatores transcricionais do organismo, estimulando por exemplo a queima de gordura.

AD – Existe embasamento cientifico constatando que o Jejum Intermitente funciona?
Ana Paula – Existem vários estudos na área, aliás nós nutricionistas já conhecemos essa estratégia a muito tempo, mas somente agora, as pessoas estão falando mais sobre o assunto.

AD – Por qual razão o Jejum Intermitente ajuda no controle e diminuição do percentual de gordura?

Ana Paula – O JI estimula alguns fatores como SIRT-1 e CPT-1 que são fatores bem importantes na oxidação de gordura. Quando se aumenta SIRT-1 ela aumenta PGC1alfa, que aumenta a capacidade de detoxificação e consequentemente aumenta a oxidação de gordura, diminuição de LDL colesterol, redução dos níveis de insulina, modulação da inflamação, etc.

AD – A partir de quantas horas sem se alimentar é considerado Jejum Intermitente?

Ana Paula – Existem várias estratégias e isto vai depender de paciente para paciente, 12h,14h, 16h, 18h e 24h são as estratégias mais usadas, pode ser feito 1, 2 ou 3x na semana.

Porém estudos recentes têm associado maior expressão desses fatores (SIRT-1 e CPT-1) em alguns tipos de JI como por exemplo o de 12 horas. No JI de 12 horas, por exemplo, faz-se a última refeição do dia anterior, o jantar, em seguida dorme-se por no mínimo 8 horas e realiza-se a próxima refeição às 12h00, o almoço. Basicamente não se faz café da manhã e lanche da manhã. Como resposta ao estímulo de fatores específicos (SIRT-1 e CPT-1) advindos do JI.

AD – Em quais casos o jejum intermitente é indicado?

Ana Paula – A indicação do jejum é muito individual, depende muito de paciente para paciente, é muito importante que este paciente já tenha uma consciência alimentar, que já tenha entendido o que significa seguir um planejamento alimentar saudável. Além disso a avaliação do profissional de saúde é de extrema importância para entender como esta a capacidade detoxificante deste paciente, qual perfil genético do paciente e principalmente e acima de tudo se a alimentação saudável faz parte da vida dessa paciente, ou seja, se ele tem um bom consumo de gorduras de boa qualidade, proteínas e carboidratos de baixo índice glicêmico e se tem costume de tomar água e chá.

De acordo com estudos na área, ele é indicado para pessoas que buscam redução do percentual de gordura, melhora de foco e concentração, melhora dos níveis hormonais, principalmente leptina, insulina, testosterona e GH. Com isso a melhora em quadros de diabetes e dislipidemias.

AD – Apesar de ser chamado de “jejum”, existe algum tipo de alimentação que pode ser feita? (suco verde, sopa, etc)

Ana Paula – Apenas chá, água e café todos sem açúcar

AD- O jejum intermitente popularizou-se recentemente. Começamos a ouvir mais sobre ele do último ano pra cá. Porém, gostaríamos de saber desde quando ele existe?

Ana Paula – O jejum é uma prática milenar e existe em várias culturas, povos passavam dias sem comer, nossos antepassados já faziam jejum quando não encontravam a caça para comer, nesta época nosso corpo era totalmente direcionado a usar como fonte de energia aquilo que ele sempre foi programado a usar, nosso estoque de gordura. Hoje em dia não deixamos que nosso organismo atue da forma que ele foi feito para atuar, ou seja, gerando energia através de gordura, pois sempre e a todo momento estamos lhe oferecendo energia de forma imediata através dos carboidratos, logo este estoque de gordura não é metabolizado, gerando hoje essa prevalência cada vez mais crescente de pessoas obesas.

AD – Existe um “protocolo” a ser seguido antes de iniciar o jejum intermitente? Você pode falar um pouco mais sobre ele? Por que existe a necessidade de seguir esse “protocolo”? 

Ana Paula – Não existem nenhum protocolo a ser seguido, o que vejo na prática clínica é que o profissional deve antes de mais nada conhecer muito bem este paciente, e o mesmo já deve estar num processo de reeducação alimentar, os exames de sangue devem ser avaliados, além da rotina do paciente

Espero que tenham gostado do tema, as respostas da Ana Paula esclareceram muita coisa pra mim. Gostaria de ressaltar que a prática do Jejum Intermitente deve ser feito com auxílio de profissional capacitado, não brinque com a sua saúde.  Para ter a certeza que o JI irá funcionar para você e para identificar qual o melhor protocolo seguir, você precisa ter a ajuda de um profissional capacitado.

E caso tenham alguma dúvida adicional sobre o tema, deixa nos comentários que passarei para a Ana Paula responder 🙂

Sobre Ana Paula Martins

Nutricionista, atua há mais de 15 anos na área de nutrição clínica, atendimento adulto e infantil. Pós-graduada em Nutrição Clínica e Esportiva Funcional, com especialização em fitoterapia. Acredita no olhar individualizado do paciente, a fim de promover um plano de alimentação saudável e sustentável