Semana passada comentei no nosso Instagram que nas férias de verão a brincadeira favorita minha e das minhas meninas é ir para a piscina, mas a piscina é muito perigosa para as crianças e exige atenção redobrada. Rafaela tem 3 anos e já levamos 2 sustos com ela, então resolvi reunir umas dicas aqui sobre os principais cuidados com as crianças na água.

Ao contrário do que se pensa ou do que é visto na mídia comum, casos de afogamento com crianças não são casos raros. No Brasil, segundo Ministério da Saúde, em 2005, 1.496 crianças de até 14 anos morreram vítimas de afogamentos sendo a segunda causa de morte e a oitava de hospitalização, por acidentes, na faixa etária de 1 a 14 anos. Gostaria de ressaltar que o risco de afogamento vai além da piscina, do mar e do Rio, ele também pode ocorrer dentro de casa em baldes, banheiras e poços.

Um estudo recentemente divulgado por pesquisadores do Griffith Institute for Educational Research, na Austrália, aponta que quanto mais cedo a criança aprende a nadar melhor é o seu desenvolvimento intelectual. Mas eu vou além do desenvolvimento intelectual, eu penso na segurança. Então, quanto mais cedo a criança aprender a nadar, menores são os riscos de afogamento. Eu não acredito que uma criança de 3/4 anos que nada, e nada bem, está livre do risco de afogamento. Isso porque uma criança muito pequena não tem maturidade para se salvar em casos extremos como: uma criança que pule em cima dela, que agarre o seu pescoço e por aí vai. E no caso de bebês, um recipiente com 3cm a 5 cm de profundidade já significa risco de afogamento. Então, mesmo que seu filho pequeno seja o campeão de natação, mantenha os olhos nele enquanto ele estiver na água.

Regra número 1: supervisão sempre! Nada de deixar a criança sozinha na piscina e ir ao banheiro, levantar para comprar uma água ou ficar de costas para ela. Precisamos sempre lembrar que ela está muito vulnerável ali e que precisamos ficar de olho sempre.

Cautela no uso de bóias! A criança para ficar sozinha na piscina apenas com a bóia de braço deve ter muita desenvoltura no uso desse tipo de acessório, pois há o risco da criança desequilibrar e ficar com o rosto água. Lembrando que não existe regras de idade para a maturidade da criança, uma criança de 3 anos pode ser mais matura que uma de 5 anos na hora de brincar na água, isso sempre vai depender da quantidade de estímulo que aquela criança recebe. As bóias de braço devem estar bem cheias e fechadas adequadamente, revise antes de colocar no braço da criança. É muito comum encontrar bóias de braço que já começaram a rasgar, mas os pais continuam usando. Pare agora mesmo! Essa bóia que já começou a rasgar pode acabar rasgando de vez dentro da água com a criança a usando. Use sempre bóias em ótimo estado de conservação.

Bebês devem sempre ter os pais por perto na água, mesmo que seja uma piscina rasa ou um espelho d’água. Os pais devem estar muito próximos, pois se a criança desequilibrar e cair, terá alguém para ajudá-la rapidamente. As crianças maiores que possuem bastante desenvoltura na água, podem ser supervisionadas de longe. No mar, o negócio é diferente. Se for um mar com ondas um pouco mais forte, eu não deixo Rafaela nem de bóia na beirada sozinha. Se for um mar mais calmo, na beiradinha está liberado desde que estejamos próximos a ela. Na piscina do condomínio tem um espelho d’água e eu acho mais fácil ficar com a Rebeca nele do que na piscina infantil. Ela fica ali brincando e eu posso ficar sentada ou em pé ao lado dela conferindo se está tudo ok. Ela já escorregou (em pé ou engatinhando) e caiu na água várias vezes, como eu sempre estava próxima não tivemos grandes problemas.

Rafaela com 1 ano e meio fugindo da onda

Cuidado com a sucção de cabelos e partes do corpo. Todo verão rola reportagem no Fantástico sobre algum acidente em que a criança ficou presa no ralo de sucção da piscina. Como eu sou maluca por água, desde sempre prestei atenção nisso e quando nos mudamos para cá, a primeira coisa que pedi para o maridôncio verificar é se aqui as piscinas possuem o ralo anti-sucção. Aqui possui. E aí na piscina do seu prédio, no prédio da avó ou na casa da madrinha, possui? Aproveite e já verifique essa informação. Se não possuir, ensine a criança a ficar sempre longe do ralo e mantenha o cabelo dela sempre preço em coque, assim diminui o risco de sucção.

Cuidado com piscinas lotadas! Quando a piscina está cheia de gente cuidar de uma criança estando do lado de fora da piscina requer atenção dobrada. Fica mais difícil localizar a criança no meio de um monte de gente e o risco de ter um afogamento causado por um terceiro, é ainda maior. Nada de deixar a criança fazer brincadeira de agarrar pescoço, principalmente com outra criança. A regra aqui em casa com a Rafa, seja no mar ou na piscina, é que ela não pode segurar no pescoço da mamãe. Eu a seguro de uma forma que transmita segurança para ela e assim não corre o risco dela ficar com medo e acabar me sufocando e me deixando sem ação na água.

Está em uma casa que tem piscina? Atenção redobrada! Lá no sítio da tia do Re e da cozinha e churrasqueira dela não tem visão para a piscina. Certo dia saímos da água para almoçar, estávamos apenas nós, os tios do Re e acho que meu cunhando e a esposa dele. Almoçamos e de repente notei que a Rafaela não estava na mesa com a gente. Levantei e batata! Ela estava dentro da água. A sorte é que a ele tem um degrau na piscina e a Rafaela tem o hábito de brincar nele, ela entrou na piscina e ficou ali no degrau brincando. Foi tão silenciosa que ninguém ouviu o barulho da água. Outra vez, a Rafa tinha 1 ano e meio, estávamos em João Pessoa e meus pais tinham alugado uma casa com piscina, a entrada da sala era muito perto da piscina, quando vi aquilo já imaginei a tragédia. Numa bela manhã, Rafaela andando pra lá e pra cá no meio da gente, ploft! Caiu na água. Como eu estava muito perto, já entrei e peguei pelo braço. Ela só chorou por conta do susto da água gelada porque eu fui bem rápida, agora imagina se ela está ali sozinha.

Crianças na água e adultos nos celulares. Combinação perigosa. No verão passado eu estava com Rebeca recém-nascida em casa e maridôncio e Rafa estavam de férias. Ele que levava ela na piscina. Um belo dia ele sobe me conta o ocorrido: Rafaela brincando na beira da piscina, tinha tirado a bóia para comer, ele abaixou o olho para ver o celular e quando levantou o olhar: cadê a Rafa? Ela tinha acabado de cair na água, ele a tirou pelo cabelo. E olha, depois disso, ela ficou com um medão da água e só conseguimos tirar o trauma com muita aula de natação ao longo do ano.

E como eu faço para cuidar de 2 crianças na piscina? A Rafa só fica sem bóia se o pai está comigo na piscina, caso contrário, a primeira coisa que faço ao chegar na piscina é colocar a bóia nela. E se estivermos em alguma casa com piscina e que esteja rolando um churrasco ou festa, mesmo que o pai esteja junto, a regra é só com bóia.

Quando eu estou sozinha com as duas na piscina do prédio, a Rafa fica de bóia e super livre para transitar entre as 3 piscinas. Quando a piscina está mais cheia eu redobro a atenção, mas nesses casos ela costuma ficar sempre brincando na água com as meninas de 12/13 anos. Enquanto a Rafa pinta e borda eu fico com a Rebeca no espelho d’água ou fora da piscina. Se eu preciso sair da área da piscina por alguma razão, as 2 vão comigo. Só deixei a Rafa uma vez aos cuidados de outra mãe e fiz isso porque a piscina estava muito vazia e essa mãe se ofereceu. Aqui a piscina tem borda infinita e se a Rafaela resolve chegar perto da borda sem o pai eu tenho mini ataques do lado de fora e fico feito uma maluca gritando o nome dela. Geralmente um adulto que está mais próximo tira ela de lá. Eventualmente eu bebo quando a Rafa está na piscina, mas sempre com moderação.

Espero ter ajudado vocês com essas dicas. E São Pedro, faz favor de devolver o sol pra gente poder voltar para a piscina 😉