Você decidiu sair do sedentarismo e está se esforçando para se alimentar melhor. Antes de tudo, parabéns! Não é nada fácil deixar hábitos antigos para construir novos, por isso (por favor!) persista que você não irá se arrepender. De longe essa é a melhor atitude que tomou em 2016. Lembre-se que ‘seu corpo = seu templo’ e um dia ele irá te pedir a conta. 😉

O passo mais importante você já deu, agora é o momento de escolher as “ferramentas” que vai usar.
Mas antes de continuar, caso ainda não tenha lido:

PARTE 1: Por onde começar? (leia AQUI)
PARTE 2: Hora de se mexer! (leia AQUI).

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Ok, parece lógico e soa ridículo mas existem tantas atividades físicas por aí que mal paramos para pensar qual roupa serve para quê. Imagem:
Garotas voltando para a academia, foto externa , by Shutterstock

Quando decidi me mexer, não tinha muita coisa além de dois shorts, duas regatas de algodão e 1 tênis de academia. Eu era (presta atenção no passado kkk) dessas pessoas que acham um desperdício gastar com roupas de ginástica. Achava um horror (tênis de corrida então…) e desnecessário ter que investir dinheiro nisso, já que ia me encharcar de suor/estragar a roupa. Pra mim era só escolher um item surrado, ter um “pisante” e já tava bom demais da conta. Não que estivesse errada, mas acontece que uma das atividades que peguei firme de verdade foi a corrida e meu tênis não era nada apropriado e por causa disso sofri consequências (contarei pra você esse “causo”).

Algumas lojas (físicas e online) já tem itens separados por categorias, mas a grande maioria não. Você já se perguntou por que uma calça é específica para correr e outra para malhar? Não seria tudo “farinha do mesmo saco” e mera frescura pra vender mais? Antigamente não tinha dessas coisas… afinal, qual a diferença entre elas? Não seria mais fácil ir no Torra-Torra (uma loja de roupas baratinhas de SP) e pegar uma roupa pra malhar? Sim, de modo geral você está certa! Mas dependendo da atividade física, pode afetar seu desempenho e vou explicar o por quê. Mãssss, por outro lado, existem peças de roupa coringa, minha amiga! E são nelas que você deve investir, caso não queira gastar uma nota com isso. hehehe
Vamos falar disso mais pra frente. 😉

ROUPAS (GERAL)

Como na parte 1 e 2 desse manual, falarei no geralzão e darei pinceladas em cada assunto, já que cada item merece um post mega completo e cheio de detalhes.

Roupas para se exercitar é quase como roupas para dormir: devem estar confortáveis no nível máximo. Tecido que pinica na pele ou que deixa a pessoa encharcada (com risco de pegar um resfriado), calça que desce, shorts que sobe…nada pode atrapalhar. O FOCO deve estar no exercício e não na roupa.

Me lembro que na Vênus, uma corrida de 15k que participei com as meninas, tinha uma moça que usou um skirt (short+saia) que subia tanto, mas taaaanto, que até decidimos apertar o passo para ultrapassá-la, tamanha a aflição que deu na gente. Morremos de dó porque ela mais descia o short do que prestava atenção na corrida. O incômodo era notório. Está vendo como uma roupa errada pode arruinar uma performance? É por isso que aconselho não estrear nenhuma roupa em eventos esportivos, porque existe uma grande chance de “dar ruim”.

Para não ficar extenso demais vou listar algumas dicas básicas:

  • Tecido: dê preferência para os que tenham uma porcentagem maior de Poliamida, pois além de possuir maior elasticidade e um toque agradável (semelhante ao algodão, só que beeem mais macio), tem um bom grau de absorção (aproximadamente 4%), ou seja, “puxa” o suor do corpo de forma eficaz e o faz evaporar mais rapidamente. As blusas que possuem uma trama mais aberta (crepe de poliamida) tem uma maior “saída” de água e são as mais “fresquinhas” de usar.
    Algodão, embora seja um fio natural e possuir um alto grau de absorção (em 11%), demora mais para evaporar (prejudicando na manutenção do calor corporal), ou seja, te deixa mais tempo encharcada e consequentemente incomodada.
    O Poliéster ganha no quesito resistência e custo acessível, mas por outro lado, é o que possui um toque mais áspero, e de todos é o que tem o menor grau de absorção (cerca de 0,5%). Ele  “retém” mais o calor e “segura” o odor do corpo. E a combinação atividade física + calor excessivo + odor corporal não dá muito certo, não é mesmo? rs
  • Bottom (parte de baixo): pense no tipo de atividade física que você vai fazer com aquela roupa. É só musculação ou vai casar com alguma atividade aeróbica? Vai fazer algo que não tenha muito contato com o chão ou atrito? Leve em conta alguns detalhes, como localização de bolsos, bordados, zíperes e detalhes adicionais, como a resistência do tecido. Por exemplo: um treino funcional, que tem diversos exercícios combinados (entre eles agachamentos, burpees e abdominais), aquele bolso na parte de trás pode incomodar ou o tecido pode rasgar em pouco tempo. Já em corridas, bolsos são muito bem-vindos! hahahah
  • Tecnologia: existem diversas e cada vez mais nos surpreendemos com as novidades. São tecidos com isolamento térmico, que regulam a temperatura corporal e controlam a umidade durante os exercícios (já viram as novas calças da Nike?), com função bacteriostática (que detêm o crescimento de algumas bactérias), com proteção solar UVA e UVB, aumento da microcirculação (já ouviu falar em bermudas/calças anticelulites?), compressão em determinadas partes, menos ou nenhuma costura e muitos outros. Considero um plus no que já está bom.

TOP

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Continuo em busca do top perfeito. Imagem:
vetor colorido de sutiãs esportivos , by Shutterstock

Top é outro assunto que dá “pano pra manga”. Aqui a regra geral é: pense no seu biotipo.
Pequenos detalhes podem fazer uma diferença enorme. Exemplo: alça fininha + peitão = péssima idéia, pense na tal da Lei da Gravidade e que precisa de uma sustentação extra. A não ser que você só faça musculação (mesmo assim não recomendo), vai machucar, “assar” e não sustentará toda a sua fartura. Pense no impacto que seus seios sofrem em alguns exercícios, como corrida, saltos em caixas e pulinhos de corda.

Seios pequenos também sofrem com o impacto da atividade. Preste atenção no ajuste do elástico na base (deve estar bem firme) e no bojo (muitos tops tem bojo exagerado fazendo “sobrar”), detalhes que prejudicam a sustentação. Como diz meu marido, tem “pano” de mais nesse negócio! Entretanto, não existe aquela preocupação com a alça, pelo contrário, meninas com seios pequenos podem abusar das alças finas (quanto mais larga, maior incômodo), como uns liiieeeeendos (de poás, zique e zague) que a Nike lançou nas coleções passadas.

TÊNIS

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Cuidado que tênis vicia. <3 Imagem:
Cinco pares de tênis pendurados em um fundo de madeira. , by Shutterstock

Pra mim tênis é item mais importante a ser levado em conta. Por quê? Um tênis errado pode intensificar algum problema (ósseo e/ou muscular) que você tiver, ou nem sabe que tem (como eu não sabia). E convenhamos, não é um item barato.

Quando comprei meu primeiro tênis (após muitos anos sedentária), eu só malhava na academia. Mas me mudei do Rio para SP e ao invés de me matricular em outra academia (a mais próxima de casa pedia um dos meus rins), comprei uma esteira que só fui usar tempos depois quando comecei a participar das corridas de rua. E aquele único tênis da academia virou tênis de corrida. Mas este pisante (que não foi baratinho) além de intensificar um incômodo no meu joelho esquerdo, me dava bolhas! Não aguentava correr com ele, porque saía com o calcanhar em carne viva. Meus dois dedinhos do pé eram puro calos. Bizarro! Chega a ser trágico e engraçado ao mesmo tempo relembrar dessa época. Enrolava o “pobre véi’ do meu pé com esparadrapos, band-aid (que não servia para nada) e ainda usava duas meias. Tudo para não parar de correr.
Até que percebi a importância de um tênis correto e comprei um adequado para mim. Não foi barato, mas já tinha em mente que ia usá-lo até ele “morrer” (mesmo pensamento que tenho quando compro um celular novo) e foi o que aconteceu. #mãodevaca #ripnimbus

Aí você me pergunta “o que você quer dizer com essa história”? Que não tem como fugir e pegar qualquer um, que você vai se dar mal! E se você quer investir em um tênis bom, pesquise muito sobre ele antes. Hoje em dia existem marcas, como Nike e ASICS, que prestam consultoria gratuita (não em qualquer loja, verifique em sua cidade).
Meu conselho? Escolha um tênis coringa, aquele que vai te atender tanto nos treinos de musculação, quanto em corrida – mesmo que você não vire corredora. Tênis de corrida podem ser usados na musculação, mas tênis de musculação não são adequados para correr. A boa notícia é que ao contrário da “minha época”, hoje tem tênis para todos os gostos e bolsos. Você não precisa mais gastar rios de dinheiro para ter um produto adequado e de qualidade.

Dica de cristal: se após uma pesquisada ficou de olho em um modelo específico, mas o dito ainda está salgado para seu bolso, tente procurar a coleção anterior (você adquire um bom tênis, bem mais barato).

ACESSÓRIOS E OUTRAS PEÇAS

  • Meias: outra peça não menos importante. Meu conselho é procurar meias de algodão ou com poliamida na composição (lembra da história que absorvem melhor o suor e impedem odor característico, vulgo chulé?). Não escolha meias muito grossas e prefira os que venham com costuras que “abraçam” os seus pés. Não tem algo mais irritante do que meias que escorregam para baixo. Grrrrrrr!
  • Bonés e viseiras: Se você pratica ou vai praticar atividades ao ar livre, não abra mão de outros acessórios, como bonés ou viseiras. Dão aquela proteção extra contra os malefícios dos raios ultravioletas.
  • Óculos de sol: se tiver dindim pra queimar, procure por óculos para práticas esportivas. Eles possuem uma tecnologia extra e hastes emborrachadas, que além de não machucar, prendem melhor no seu rosto. Se não quer ter um gasto a mais, use o que você se sentir mais confortável. Só não vale óculos falfal, os que você compra nos camelôs da vida. Miga, sua louca! Isso a longo prazo vai prejudicar sua visão!

RESUMINDO…

Roupa é muito mais do que mera futilidade, se escolhida de forma errada pode e muito afetar seu desempenho ou (no caso de tênis) intensificar algum problema/lesão. Sim, está muito longe de ser uma frescura!

Como disse anteriormente, as roupas são somente ferramentas. Sua função é te deixar o mais confortável possível durante a atividade física. Tenha consciência que não existe a necessidade de gastar uma nota alta para ter tudo o que se precisa. Vá pelas peças-coringa (de cores básicas e para múltiplas atividades) e seja feliz!
Hoje em dia existem marcas menos famosas e muito boas, além dos inúmeros outlets, com promoções excelentes. Qual a necessidade de se endividar em lançamentos, se pode gastar muito menos em uma peça de roupa da coleção anterior, que diga-se de passagem, não foi lançada nem há 6 meses ou 1 ano?
É só ter bom senso e paciência para pesquisar. Mas caso não tenha paciência, nós estaremos sempre de olho e sempre que pintar algo legal e baratex avisaremos aqui. 😉

Brincadeiras à parte, espero ter sido clara nos posts. Fui bem honesta e (mesmo dando pinceladas) tentei ser bem completa no assunto. Qualquer dúvida que você tiver em qualquer um dos posts da série ‘Vida Saudável’ deixe nos comentários que tentarei ajudar na medida do possível. Ou se tiver dúvida sobre algum assunto específico e quer que a gente fale sobre ele aqui no blog, deixe a sugestão nos comentários. <3